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Estado define novo protocolo para casos graves de chikungunya

Norma define resposta em até uma hora, uso de vaga zero e monitoramento de indicadores na regulação médica.

08/04/2026 às 22:08
Por: Redação

Com o crescimento do número de casos graves de chikungunya em Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) implementou um protocolo emergencial para atendimento e regulação médica desses pacientes. Esse novo fluxo foi estabelecido pela Resolução SES/MS nº 555, publicada na terça-feira, 7, e tem como objetivo acelerar a assistência, a transferência e a tomada de decisões clínicas, especialmente nas regiões Centro-Sul e nas demais macrorregiões do Estado.

 

A medida determina que todos os casos classificados como prioridades P1.0 e P1.1 – situações clínicas graves ou com potencial gravidade – recebam uma definição regulatória em até uma hora após a solicitação. Esse prazo torna-se uma obrigação para garantir que o atendimento ocorra no menor tempo possível, reduzindo as chances de agravamento do quadro clínico ou óbito dos pacientes afetados.

 

Além disso, a resolução formaliza o uso do mecanismo conhecido como "vaga zero", que permite a transferência imediata de pessoas em estado crítico, mesmo quando não existem leitos disponíveis no momento. Esse recurso pode ser adotado pelo médico regulador após serem esgotadas todas as tentativas convencionais de encaminhamento, desde que ainda dentro do tempo clínico adequado para intervenção.

 

O novo fluxo foi criado diante do contexto de emergência em saúde pública decretado em Dourados, município onde a epidemia de chikungunya permanece ativa, com elevadas taxas de transmissão. Dados epidemiológicos recentes apontam uma taxa de positividade entre 72% e 79%, considerada muito alta, além do registro de casos graves, ocorrência de óbitos e gestantes entre os pacientes acometidos em 2026.

 

A secretária de Estado de Saúde em exercício, Crhistinne Maymone, enfatizou que o objetivo do novo protocolo é agilizar e garantir segurança no atendimento, diante da pressão crescente sobre os serviços de saúde:

 

"Estamos estruturando um fluxo mais rápido, organizado e resolutivo para garantir que os pacientes graves tenham acesso ao atendimento oportuno no menor tempo possível. Essa resposta ágil é fundamental para salvar vidas, especialmente diante do cenário epidemiológico que enfrentamos".

 

O fluxo emergencial determina ainda que haja integração entre as centrais de regulação municipais e estadual. Cada uma terá responsabilidades bem definidas, com etapas claras para os encaminhamentos. Em Dourados, o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) será a primeira referência para o recebimento dos casos graves. Caso não haja aceitação ou resposta em tempo hábil, o Hospital Regional de Dourados (HRD) será acionado em seguida. Persistindo a ausência de leitos ou resposta, a vaga zero poderá ser ativada para qualquer unidade com capacidade de atender o paciente em estado crítico.

 

Também foram detalhados os critérios clínicos para classificação dos pacientes que terão prioridade no novo fluxo. São considerados sinais de alerta: choque, desidratação intensa, rebaixamento do nível de consciência, insuficiência respiratória, além de condições que conferem maior risco, como gravidez, presença de comorbidades e pessoas pertencentes a populações indígenas.

 

Entre os objetivos do novo protocolo estão a padronização das respostas assistenciais, diminuição de gargalos no processo de regulação, aumento do acesso a leitos de maior complexidade e a melhoria na comunicação entre os serviços de saúde. As equipes das unidades de origem deverão iniciar imediatamente as ações para estabilizar o paciente e manter contato constante com a regulação até a conclusão da transferência.

 

Para monitorar o desempenho do novo fluxo, a SES implementou indicadores diários e semanais que incluem o tempo de resposta, quantidade de solicitações, percentual de casos atendidos dentro do prazo estabelecido, negativas de vaga e registros de óbitos antes ou durante o processo de transferência. Relatórios operacionais têm a função de identificar gargalos e subsidiar ajustes contínuos na rede assistencial.

 

A vigência do protocolo emergencial está condicionada à duração da situação de emergência epidemiológica. Concluído esse período, os procedimentos regulatórios anteriores voltarão a ser aplicados nas redes de atendimento.

 

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