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Polícia Civil combate grupo que usava IA para criar pornografia infantil

Cerca de 30 adolescentes, principalmente de escolas e do IFMT em Juína, foram identificadas como vítimas da rede.

27/05/2026 às 17:33
Por: Redação

A Polícia Civil lançou, nesta quarta-feira, 27 de maio, a Operação Máxima Proteção, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa envolvida na produção, armazenamento e venda de material pornográfico ilícito. O grupo utilizava manipulação digital de imagens de adolescentes e foi alvo de três ordens judiciais cumpridas nas cidades de Juína e Sinop, em Mato Grosso, e em Cacoal, Rondônia.

 

A investigação, conduzida pela Delegacia de Juína, foi iniciada após a identificação de quatro adolescentes de uma instituição de ensino particular do município, que eram suspeitos de envolvimento. As apurações subsequentes revelaram a participação de indivíduos maiores de idade, o que motivou a abertura de um inquérito para aprofundar os detalhes do esquema.

 

Até o presente momento, aproximadamente 30 vítimas foram identificadas somente em Juína. A maioria delas é composta por adolescentes matriculados em duas escolas particulares da localidade, além de estudantes do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).

 

De acordo com as descobertas da investigação, os suspeitos empregavam uma ferramenta de inteligência artificial avançada. Essa tecnologia era utilizada para alterar e gerar conteúdos falsos com um alto grau de realismo, o que dificultava a detecção da fraude pelas vítimas e autoridades.

 

As diligências realizadas e os elementos técnicos obtidos confirmaram que os envolvidos criavam montagens pornográficas ilícitas a partir de imagens das vítimas. Esses arquivos eram armazenados tanto em dispositivos eletrônicos quanto em serviços de nuvem, e posteriormente distribuídos a terceiros. A Polícia Civil constatou que essas práticas eram realizadas de forma contínua e estruturada, com uma divisão de tarefas implícita entre os membros do grupo.

 

As apurações apontaram, ainda, que dois adolescentes, ambos com 15 anos de idade, exploravam financeiramente os conteúdos produzidos. Eles cobravam valores que variavam de 30 reais por fotografia até 120 reais por vídeo.

 

Análises de extratos bancários revelaram movimentações financeiras compatíveis com atividades ilícitas. Os registros mostravam recebimentos frequentes, oriundos de diversos remetentes, e os valores eram condizentes com as quantias negociadas em conversas interceptadas durante a investigação.

 

A análise de dados identificou que os compradores estavam espalhados por vários estados brasileiros, incluindo Minas Gerais, Pará, Rondônia, Tocantins e Bahia. Esse alcance demonstrou o caráter interestadual da atuação criminosa, aumentando a complexidade das investigações.

 

Foi verificado também que os suspeitos utilizavam perfis falsos em redes sociais, com identidades femininas fictícias. Esses perfis eram usados para divulgar os conteúdos ilícitos, estabelecer contato com compradores e simular uma falsa legitimidade. A plataforma Facebook era a principal ferramenta empregada pelo grupo para essas operações.

 

As investigações indicam que os envolvidos agiam de maneira minimamente organizada, com uma produção sistemática de material pornográfico ilegal, compartilhamento de ferramentas tecnológicas, divisão clara de tarefas e um planejamento financeiro.

 

No estado de Rondônia, a Operação Máxima Proteção teve como alvo um homem de 20 anos, que estava sob investigação por sua participação nos crimes. O mandado de busca e apreensão contra ele foi executado pela equipe de Juína, que contou com o apoio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cacoal (RO), após um levantamento realizado pelo Núcleo de Inteligência (NI) da Delegacia de Cacoal.

 

Os indivíduos investigados poderão ser responsabilizados, em tese, pelos crimes previstos no Artigo 241-C da Lei nº 8.069/90, o Estatuto da Criança e do Adolescente, além de outros delitos que possam ser identificados no decorrer das investigações.

 

O delegado Jean Andrade Araújo ressaltou a importância da ação, afirmando:

 

A Operação Máxima Proteção reforça o compromisso da Polícia Civil com a proteção integral de crianças e adolescentes e destaca a importância da conscientização sobre os riscos e consequências do uso criminoso de ferramentas de manipulação digital.

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