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Fim da escala 6x1 deve impulsionar produtividade no Brasil, diz Boulos

Ministro Guilherme Boulos defende redução da jornada de trabalho e aponta dados de aumento de receita e cumprimento de prazos em empresas que já adotaram a medida.

21/01/2026 às 16:11
Por: Redação

Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, afirmou na quarta-feira, 25 de janeiro de 2026, que a implementação do fim da escala de trabalho de seis dias de trabalho por um de folga (6x1) no Brasil promete impulsionar significativamente a produtividade da economia nacional. Durante uma entrevista concedida ao programa "Bom dia, Ministro", transmitido pelo Canal Gov, o titular da pasta defendeu veementemente a redução da jornada laboral para os trabalhadores, apresentando exemplos concretos de empresas que já adotaram regimes de trabalho mais flexíveis e colheram resultados positivos.

 

Para embasar sua defesa, Boulos citou um estudo recente da Fundação Getulio Vargas (FGV), realizado em 2024, que analisou os resultados de 19 empresas que já implementaram a redução da jornada de trabalho. Os dados revelaram que 72% dessas organizações registraram um aumento significativo em suas receitas, enquanto 44% observaram melhoria no cumprimento de prazos. O ministro destacou que essa tendência de redução já está em curso, mesmo sem uma legislação específica que a imponha, evidenciando uma adaptação natural do mercado.

 

Melhoria da Produtividade e Qualidade de Vida

O ministro explicou que a elevação da produtividade está diretamente ligada ao nível de descanso e bem-estar dos trabalhadores. Ele argumentou que, sob o regime de escala 6x1, muitas pessoas, especialmente as mulheres que frequentemente acumulam responsabilidades de cuidado doméstico, chegam ao ambiente de trabalho já exauridas. A premissa é que um profissional mais descansado e com melhor qualidade de vida é capaz de desempenhar suas funções com maior eficácia e engajamento, refletindo-se diretamente nos resultados.


Com seis dias de trabalho, um de descanso – e às vezes esse um, principalmente para as mulheres, é para fazer serviço de cuidado em casa – quando essa pessoa chega ao trabalho, ela já está cansada. Quando esse trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor. Então, o que a gente sustenta é baseado em dados.


Boulos reforçou seu ponto apresentando cases internacionais de sucesso. Ele mencionou que a Microsoft, em sua operação no Japão, implementou a escala 4x3 e observou um impressionante aumento de 40% na produtividade individual de seus funcionários. Outro exemplo citado foi a Islândia, que em 2023 reduziu a jornada para 35 horas semanais com quatro dias de trabalho, resultando em um crescimento econômico de 5% e um acréscimo de 1,5% na produtividade do trabalho. Nos Estados Unidos, a dinâmica de mercado levou a uma redução média de 35 minutos diários de trabalho nos últimos três anos, elevando a produtividade em 2%.

 

Em resposta às críticas de que a baixa produtividade brasileira seria um impedimento para a redução da jornada, Boulos questionou a lógica. Ele indagou como a produtividade poderia aumentar se os trabalhadores não tivessem tempo para buscar qualificação ou participar de cursos. O ministro salientou que uma parcela considerável da produtividade aquém da média no Brasil não recai sobre os empregados, mas sim sobre a falta de investimento do setor privado em inovação e tecnologia, uma área onde o investimento público é predominantemente maior, distorcendo os indicadores.

 

Proposta Governamental e Desafios para Empresas

A proposta encampada pelo governo federal visa a transição das atuais 44 horas semanais de trabalho para 40 horas, sem qualquer redução salarial para os trabalhadores, em um modelo de, no máximo, cinco dias de trabalho seguidos por dois dias de folga. Essa medida, que efetivamente extingue a escala 6x1, também prevê a implementação de um período de transição e a oferta de compensações específicas, especialmente pensadas para as micro e pequenas empresas, visando mitigar possíveis impactos iniciais e facilitar a adaptação gradual.


Essa é a proposta que está sendo desenhada para todos os setores da economia no Brasil, por uma questão de dignidade dos trabalhadores.


Boulos expressou otimismo quanto ao avanço das discussões no Congresso Nacional, com a expectativa de que o tema seja submetido à votação ainda no decorrer deste semestre. Em fevereiro do ano passado (2025), a Câmara dos Deputados recebeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025, que, com o apoio de 234 assinaturas, busca formalizar o fim da escala 6x1 e estabelecer uma jornada máxima de 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias de trabalho. Outras iniciativas legislativas com o mesmo propósito de reduzir a jornada também estão em tramitação ativa.

 

Impacto dos Juros Elevados na Economia

Apesar dos argumentos favoráveis, o projeto governamental enfrenta considerável resistência por parte de setores empresariais, que alegam que a redução da jornada de trabalho inevitavelmente resultaria em um aumento significativo dos custos operacionais, principalmente devido à necessidade de novas contratações. Boulos, no entanto, argumenta que há um superdimensionamento desses custos, e que um modelo de adaptação específico será elaborado para atender às necessidades das micro e pequenas empresas, buscando um equilíbrio.

 

Além disso, o ministro da Secretaria-Geral aproveitou a oportunidade para tecer duras críticas às elevadas taxas de juros praticadas no Brasil, enfatizando que esse fator representa uma pressão ainda maior e desnecessária sobre o setor produtivo nacional. Ele destacou que o alto custo do dinheiro compromete severamente a capacidade de investimento e a saúde financeira das empresas, dificultando seu crescimento e expansão.


Muitas vezes, esses pequenos negócios estão endividados por essa taxa de juro escorchante [abusiva], de agiotagem, que a gente tem no Brasil.


A taxa básica de juros, conhecida como Selic, é um dos principais mecanismos utilizados para o controle da inflação no país, sendo definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Atualmente fixada em 15% ao ano, a Selic se encontra em seu patamar mais elevado desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% anuais. Após ter alcançado 10,5% ao ano em maio de 2024, a taxa começou a ser progressivamente elevada em setembro do mesmo ano, sendo mantida em 15% ao ano desde a reunião de junho do ano passado, impactando diretamente o crédito e os investimentos.


Já passou da hora de reduzir essa taxa de juros, porque 15% de juros nenhum trabalhador aguenta e nenhum empresário aguenta. Como é que você vai aumentar o investimento? Como é que você vai arrumar capital de giro com esse custo do dinheiro? Não tem o menor cabimento. Então, parte do problema que vai aliviar os pequenos, os médios e, nesse caso, até os grandes empresários do Brasil é a redução da taxa de juros escorchante e injustificável.


A próxima reunião do Copom está programada para ocorrer nos dias 27 e 28 de janeiro. No comunicado divulgado após a última reunião, em dezembro, o colegiado optou por não sinalizar qualquer possibilidade de corte nos juros, indicando que o cenário econômico atual é marcado por uma grande incerteza. Essa conjuntura exige uma postura de cautela por parte da política monetária, com a estratégia institucional de manter a Selic no patamar atual por um período considerável, sem previsões de alterações iminentes, gerando expectativas no mercado financeiro.

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